Tuesday, May 29, 2007

O Jazz é muito mais rock ´n roll que o Rock ´n Roll

Acabo de voltar do show do Kerouac. Um baterista principalmente, um pianista, um saxofonista e um contrabaixista. Foda. Teve uns dois solos de bateria e um de contrabaixo, os dois caras extremamente competentes. O baterista provavelmente foi o melhor que eu já vi, usava a bateria de todos os jeitos que ela nunca foi projetada pra ser usada, batia com as baquetas nos lados dos tambores, punha uma baqueta entre os pratos e vibrava ela de baixo pra cima, de cima pra baixo, batia nos aros, esfregava um prato com a baqueta, colocava ele em cima de um tambor, tirava um som do prato tocando o aro do tambor, batia com a baqueta em cima dessa formacao, e assim vai.
O solo do contrabaixo tambem foi foda, nunca tinha imaginado uma coisa dessas. No final, o sax que sempre foi o que mais me chama a atencao, virou um simples instrumento de acompanhamento, ele realmente nao tinha tanta importancia nessa banda. Nada de blow, mas ainda assim tudo de Kerouac.
Comecaram o show com Um Minüt, depois Bang, Tanz 1, ..., Tanz 2, Tempo da Perder, ...
No fim do show fui perguntar ao saxofonista que lingua é Tempo da Perder, me soou estranha essa frase. Ele disse que é italiano, eu disse que sou brasileira, conversamos por um tempo. Ele disse que está pra ir pro Rio, e que a única frase em portugues que ele sabe é "Eu quero um dentista hoje mesmo!" Óbvio que eu perguntei por que porra de razao ele ia querer saber falar isso e se ele achava que ia acabar usando a frase algum dia. Ele disse que era a primeira frase no livro de portugues dele, e eu ensinei ele a falar "eu quero uma caipirinha", uma frase muitissimo mais util. Ele disse que entao ia precisar mesmo de um dentista, caipirinha é doce demais, e agradeceu por eu ter ido ao show e quis saber como eu fiquei sabendo e como fui pra la, etc. Eu expliquei que tava morando la, e tinha que ver o show de uma banda que se propunha a encher de som os vacuos que o Kerouac descreveu no On the road mas nunca se deu o trabalho que vender um cd junto com o livro pra gente saber que melodia tocava na cabeca dele enquanto ele escrevia. Ele disse que o Kerouac era o patron deles e me perguntou como eu conhecia o bflat, disse que ja tinha ido com amigos e passei em frente um dia e vi do show deles. Ele agradeceu mais uma vez d eu ter ido, fui ao banheiro, voltei, paguei e fui embora.

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